Para que haja análise é preciso ir para o divã?

Sem dúvida, muito da imagem que a psicanálise transmite, desde seu surgimento, está diretamente associada ao divã. Antes mesmo da formalização da psicanálise, Sigmund Freud já se utilizava do divã na aplicação da hipnose. Nesse sentido, é possível pensar o divã, inicialmente, como um objeto simbólico que foi preservado nos métodos posteriormente adotados pela psicanálise.

Outro elemento de grande importância é que, inegavelmente, no divã — deitado, sem ter o “outro” ao alcance do olhar — torna-se possível uma relação diferente com as palavras, justamente pela suspensão da pulsão escópica. O olhar, muitas vezes, emerge como uma barreira ao tratamento, na medida em que pode ser difícil sustentar a presença do outro quando certos conteúdos começam a se apresentar em análise.

Jacques Lacan propôs uma distinção no tratamento: as entrevistas preliminares, realizadas frente a frente, e a entrada em análise propriamente dita, que frequentemente coincide com a introdução do divã. Esse momento tende a ocorrer quando um certo vínculo já se estabeleceu, e a necessidade do contato visual perde sua função inicial.

Ainda assim, é preciso evitar qualquer regra rígida. De caso a caso, cada sujeito pode demandar — ou não — o uso do divã, a depender dos elementos que emergem ao longo do processo analítico.

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