Ansiedade: O Que a Psicanálise Nos Diz Sobre o Mal do Século

Ansiedade: O Que a Psicanálise Nos Diz Sobre o Mal do Século

Ansiedade: quando o corpo fala antes das palavras

A ansiedade costuma ser tratada como um excesso — de pensamentos, de preocupações, de estímulos. Mas, do ponto de vista da psicanálise, especialmente em Jacques Lacan, ela não é um excesso. É um sinal.

Ao contrário do que se imagina, a ansiedade não engana.

Ela aparece quando algo escapa à simbolização. Quando não há palavras suficientes para dar conta de uma experiência, o corpo entra em cena. É por isso que muitas pessoas descrevem a ansiedade como algo físico: aperto no peito, falta de ar, inquietação, sensação de urgência.

Não se trata apenas de um “problema emocional”, mas de um ponto em que o sujeito se vê confrontado com algo que não consegue nomear.

A ansiedade não é sem objeto

Uma ideia comum é que a ansiedade surge “do nada”. Mas Lacan vai na contramão disso ao afirmar que a ansiedade não é sem objeto.

Esse objeto não é claro, não é visível, não é algo que você consiga apontar diretamente. Ele aparece de forma deslocada: em situações aparentemente banais, em decisões simples, em encontros cotidianos.

É por isso que tentar eliminar a ansiedade como quem elimina um sintoma costuma falhar. Porque ela não é o problema em si — ela é um efeito.

Por que controlar não resolve

Grande parte das abordagens atuais tenta ensinar formas de controle: respiração, foco, distração. Isso pode aliviar momentaneamente, mas não toca o ponto central.

Se a ansiedade retorna, é porque há algo que insiste.

A psicanálise não propõe o controle da ansiedade, mas a escuta do que ela tem a dizer. O trabalho não é silenciar o sintoma, mas permitir que ele encontre um lugar na fala.

O lugar da terapia

Em análise, a ansiedade deixa de ser apenas algo a ser combatido e passa a ser algo a ser escutado. Ao longo das sessões, o sujeito pode começar a construir relações entre aquilo que sente e sua própria história.

Não se trata de eliminar a ansiedade completamente — isso seria, inclusive, impossível. Mas de modificar a relação com ela.

Quando algo pode ser dito, já não precisa aparecer com a mesma intensidade no corpo.

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Bruno Moraes

Psicologo · Psicanalista · Instituto RSI

Sou psicólogo clínico, formado pela Universidade Paulista (UNIP) de Santos, e meu interesse pela psicologia surgiu a partir do desejo de compreender como cada pessoa constrói sua própria forma de existir, lidar com o sofrimento e se relacionar com o mundo. Acredito que cada história é única e merece uma escuta cuidadosa, sem julgamentos e sem respostas prontas.

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